7.5.06

Nathalhie Sergueiew: a sinopse de uma biografia


Nathalie Sergueiew nasceu em São Petersburgo, em 1912. Com a revolução bolchevique a família muda-se para Paris, engrossando a comunidade de russos brancos no exílio. Estuda pintura na Académie Julian. Viajante infatigável, aos 21 anos, de mochila às costas, faz a pé o percurso Paris/Varsóvia. Chega a Berlim com o nazismo no poder. Jornalista «free lancer» entrevista então vários dignitários do III Reich. Prima do general russo branco Miller, está em Paris quando os serviços secretos soviéticos do NKVD o raptam, com a conivência do general Skoblin, o «agente triplo» a quem Eric Rommer dedicou recentemente um filme homónimo. Quando o julgamento do caso tem início, em 1938, «Lily», como era conhecida e como sempre se deu a conhecer, inicia uma nova viagem, de bicicleta, com o propósito de atingir Saigão. O início da Segunda Guerra surpreende-a na Síria. Contou o que viu e viveu nessas solitárias viagens em dois livros ilustrados com os seus próprios desenhos. Pintora que também foi, escreve em 1939: «o belo tem sobre mim um efeito extraordinário. Não posso ficar indiferente diante de um Boticelli. É um mundo à parte, no qual as palavras não têm qualquer sentido, onde a harmonia das linhas e das cores não têm nome».

Em 1940, quando as tropas da Wehrmacht descem os Campos Elíseos, decide-se. Personalidade extraordinária, volta à Europa, procura o jornalista Felix Dassel, agente da Abwehr, os serviços secretos militares alemães, e faz-se recrutar como espia. O seu propósito é, porém, outro. Depois de uma longa espera, finalmente em Madrid a caminho de Inglaterra, oferece-se aos britânicos, na pessoa de Kenneth Benton, do MI6. Aceite como agente dupla, ao serviço do XX Committee, com o nome de código «Treasure», é transferida no final de 1943 para Londres, via Gibraltar, onde integra a rede dos que efectuam a desinformação quanto ao local exacto do desembarque das tropas aliadas na frente norte. Vive então entre a capital do Reino Unido e Wraxall, uma localidade perto de Bristol.

Em Março de 1944 é enviada a Lisboa, para um encontro com o seu controlador alemão, o major Emil Kliemann, da Luft Eins, o serviço de espionagem aeronáutica da Abwehr, com o propósito de aqui receber um radioemissor. Hospeda-se no Hotel Avenida Palace, onde se situa o início da narrativa. Coroada de êxito volta a Londres mas, envolta numa teia de suspeições, acaba por ser dispensada. Regressa a Paris, onde conhece um oficial da Força Aérea Americana, Bart Collings, com quem se casa. A irmã fora entretanto assassinada em circunstâncias misteriosas. Vai então para a América, a sua última viagem. Embora minada de uma grave doença renal, a sua tenaz força de vontade, essa força anímica que sempre a acompanhou, parece não ter limites. Prossegue a escrita de um livro sobre as suas memórias da guerra, editado postumamente.
Morre em 1950, com 38 anos de idade.

O livro, escrito numa linguagem narrativa, é o produto de uma investigação de vários anos, envolvendo trabalho nos Arquivos e contactos pessoais com fontes de informação. Não se trata de um romance histórico, mas de um relato histórico que se lê como um romance.


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