11.3.06

Minox

[ continuação deste postal ]

O empenho pela Minox não decorria do facto de o os serviços secretos não terem já um significativo trabalho acumulado sobre aparelhos de natureza idêntica. Os alemães, por exemplo, haviam logrado construir a Robot, uma máquina susceptível de concretizar cinquenta disparos sem necessidade de rebobinar manualmente o filme, o qual era feito avançar, imagem a imagem, através de um motor movido a partir de uma simples mola de tensão. A questão é que a Minox tinha sido de facto um verdadeiro achado. Primeiro, pela capacidade de dissimulação que tal máquina apresentava. Dispensando o clássico fole destinado a aumentar a distância focal a Minox cabia no canto de uma mala ou num bolso de casaco sem levantar qualquer espécie de suspeitas. Além disso, a sua capacidade de armazenamento de película era assombrosa por proporção ao seu tamanho real: cinquenta fotografias por rolo. Finalmente, a extrema pequenez dos seus negativos possibilitava a sua fácil ocultação. Do ponto de vista dos acessórios tudo se conjugava para garantir aos espiões no terreno os meios necessários a uma actuação segura. Ele era o pormenor do cordão que permitia prender a máquina ao cinto das calças, ostentando nós em pontos regulares a distâncias fixas, permitindo fazer leituras exactas de focagem de maneira cómoda. Era o tanque de revelação absolutamente compacto de modo a permitir a efectivação de revelações em plena luz do dia e sem necessidade de recurso a uma câmara escura para o efeito. Era inclusivamente uma lente auxiliar para ampliação do negativo após revelação. Não faltava um tripé especialmente adaptado para fotografar documentos. Chegou-se a um ponto tão ostensivo que os inocentes catálogos já anunciavam a possibilidade de acoplar a máquina a uns binóculos para, através deles, obter fotografias a grande distância. Era a revelação sem sofismas da real utilidade da máquina. O seu foco de curtíssima distância tornava-a aliás o utensílio indicado para fotografar documentos. Muitos arquivos foram assim esventrados. Até à Minox o máximo na miniaturização pertencia à máquina suiça Tesssina. Utilizando o clássico filme de 35 mm esta máquina podia ser dissimulada dentro de um pacote de cigarros ou no interior de um livro, sendo as fotografias tiradas a partir de minúsculos orifícios inseridos no objecto em que a câmara estava dissimulada. O tempo encarregar-se-ia de a ultrapassar. Por alguma razão a Minox grangeou a sua lenda. Interessados no interesse desta máquina, os soviéticos cedo se entretiveram a copiá-la dando azo à Toyka 58-M, uma câmara tão diminuta que podia ser escondida por detrás de uma gravata e controlada a partir de um punho que o agente digitava a partir do bolso onde mantinha discreta a sua mão. Mais tarde, terminada a II Grande Guerra, a URSS viria a desenvolver, a partir de 1948 o modelo F2, largamente usado pelos agentes da KGB. Tratava-se de uma cópia do modelo Robot, dado que a máquina lograva também efectivar o rebobinar automático do filme, poupando assim o agente que a utiizase a ter de efectuar tal tarefa manualmente. Mas seria a Kiev 30 a câmara soviética que mais se aperfeiçoaria do modelo de Minox. Curiosamente, muitos dos agentes do KGB URSS no exterior receberiam para o seu trabalho não máquinas de fabrico soviético mas sim clássicas Minox’s. Foi o que se passou com George Blake e com John Walker. Blake, um místico convertido à espionagem, teve aliás algumas dificuldades de relacionamento com a máquina. Esperava-a mais pequena e mais manuseável. O seu controleiro soviético bem se esmeraria a gabá-la. Só pela força da necessidade conseguiria tornar-se exímio.


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